Como evitar a transferência de doenças congênitas para o bebê
Setembro / 2008
Técnica rastreia problemas ainda no embrião

O que fazer quando o casal sonha com filhos, mas os evita em função de doenças genéticas que podem ser transmitidas para o bebê? Hoje, a medicina reprodutiva já dispõe de alternativas para evitar que os herdeiros sofram com doenças como fibrose cística, adenoleucodistrofia (doença que se tornou bastante conhecida a partir do filme “Óleo de Lorenzo”), distrofia muscular de Duchenne e hemofilia.
A técnica - oferecida por algumas das clínicas mais avançadas do mundo - para prevenir esses problemas é o PGD – Diagnóstico Genético Pré-implantação. O procedimento permite a identificação genética dessas doenças ainda no estágio de embrião - antes mesmo de sua implantação no útero materno. De acordo com o especialista em reprodução assistida, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Selmo Geber, o rastreamento é feito a partir da retirada de uma célula do embrião no terceiro dia após a Fertilização in Vitro – FIV.  “O procedimento consiste em realizar uma biópsia e detectar, por métodos de análise genética, a presença ou ausência dos genes da doença. Em seguida, os embriões não afetados são transferidos para o útero da mãe”, explica.
Além de evitar as doenças genéticas, a técnica também pode ser aplicada para beneficiar mulheres que sofrem com abortos de repetição, assim como as com idade acima dos 35 anos, que, naturalmente, têm a fertilidade reduzida. Segundo Geber, diversos casos de perdas consecutivas de gestação ocorrem devido a uma alteração genética em um dos progenitores, que pode ser transmitida para o embrião. Assim, o próprio útero cuida de impedir a evolução do feto. “Com a técnica de PGD, esses embriões que carregam a alteração genética podem ser identificados. Com isso, somente aqueles livres da alteração são transferidos para o útero, aumentando consideravelmente a chance de que a gestação evolua normalmente”, relata.
Para as mulheres acima dos 35 anos, a técnica evita os problemas decorrentes do envelhecimento do óvulo, como a Síndrome de Down, além de aumentar a taxa de gravidez em função da implantação de embriões em alterações cromossômicas.
O médico afirma que, a cada tentativa, as taxas de gestação são semelhantes às dos ciclos habituais de FIV, 50% por tentativa. O PDG já vem sendo realizado na Clinica Origen há 10 anos.
 
 
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