Selmo Geber, Laura Maria Almeida Maia, Isabela Dias Lauar, Cintia Black, Renata Bossi,
Marcos Sampaio - ORIGEN - Centro de Medicina Reprodutiva
Introdução: O tratamento da infertilidade conjugal pela técnica de Reprodução Assistida (RA) inicia-se com a indução da superovulação com FSH recombinante associado ao bloqueio hipofisário com antagonistas ou agonistas de GnRH com posterior indução da maturação oocitária com hCG. O bloqueio da função hipofisária é feito para evitar o pico de LH endógeno e impedir a ovulação e luteinização precoce. Consequentemente, pode haver a formação de um corpo lúteo disfuncional com secreção inadequada de progesterona, determinando a necessidade de suplementação nessa fase do ciclo com progesterona ou hCG.
Objetivo: Avaliar o impacto do uso do LH recombinante associado `a progesterona, para o suporte de fase lútea, na taxa de gravidez de pacientes submetidas a ciclos de Reprodução Assistida.
Materiais e Métodos: Foi realizado um estudo randomizado com 141 pacientes, sendo 66 utilizaram LH associado a progesterona (grupo estudo) e 75 utilizaram apenas progesterona (controle). Todas as pacientes usaram FSHr para indução da superovulação e a dose foi adequada de acordo com a resposta ovariana controlada por ultrasonografia endovaginal e dosagem sérica de estradiol. A supressão da função hipofisaria foi feito com uso de análogos (protocolo longo) ou antagonista do GnRH. A administração de hCGr foi feita quando foram observados pelo menos 2 folículos >17mm e estradiol compatível. A técnica laboratorial para FIV/ICSI e cultivo embrionário e foi a mesma para todos os ciclos de tratamento, assim como a transferência embrionária.
Resultados: Com relação ao tipo de bloqueio hipofisário, 16 pacientes (24%) do grupo estudo e 17 (23%) do grupo controle usaram antagonista; a média de idade dos grupo foi de 35 anos, variando de 23-43 anos; causa da infertilidade foi predominantemente primária nos dois grupos, sendo que em ambos os grupos o fator masculino foi o principal responsável pela infertilidade (41% no grupo de estudo e 40% no grupo controle); o número médio de ampolas no grupo de estudo foi de 39,5 e no controle de 40,7; a média de dias de foliculogênese foi de 12,4 no grupo estudo e 12,5 no grupo controle; o número médio de folículos visualizados ao US no grupo estudo foi de 11,1 e 11,3 no grupo controle; média de embriões transferidos foi de 3 no grupo estudo e 3,1 no grupo controle; a taxa de gravidez foi a mesma nos dois grupos, isto é, 44%, sendo que nas pacientes com faixa etária de 35-40 anos a taxa de gravidez foi de 59% no grupo estudo e 29% no grupo controle. Nas demais estratificações etárias não observamos diferenças.
Conclusão: Ao nosso entender, este é o primeiro estudo utilizando o LHr como suporte de fase lútea e demonstrou que, associado `a progesterona não modificou as taxas de gravidez. Acreditamos que novos estudos devam ser feitos utilizando o LHr não associado `a progesterona para avaliar seu efeito isolado, uma vez que pode apresentar um efeito mais próximo ao fisiológico, mantendo o corpo lúteo produzindo a progesterona, de forma semelhante ao sugerido quando do uso do hCG, porém sem elevar o risco de SHO. |